Concursos de Controle para Economista: TCU, TCE e CGU
Nos posts anteriores deste guia, mapeamos como o economista pode atuar no financiamento de projetos, na formulação de políticas públicas e na produção de conhecimento estratégico para o Estado. Neste capítulo, o foco se desloca para uma frente igualmente importante: os órgãos de controle responsáveis pela fiscalização do gasto público. São espaços que exigem rigor analítico, domínio de finanças públicas e capacidade de produzir laudos e relatórios com respaldo técnico-científico.
O que fazem os órgãos de controle?
O sistema de controle da administração pública brasileira divide-se em dois eixos complementares: o controle externo, exercido pelos Tribunais de Contas, e o controle interno, exercido pelas Controladorias. Enquanto os Tribunais de Contas auditam de fora o uso de recursos públicos, verificando legalidade, legitimidade e economicidade. As Controladorias atuam por dentro da máquina estatal, avaliando a gestão e prevenindo desvios antes que ocorram.
Para o economista, esses espaços são especialmente atrativos porque o trabalho cotidiano envolve análise de viabilidade de projetos, avaliação de impacto de políticas públicas, exame de contratos e licitações, e produção de estudos sobre eficiência do gasto.
Tribunal de Contas da União (TCU)
O TCU é o principal órgão de controle externo do Brasil, responsável por auxiliar o Congresso Nacional no acompanhamento da execução orçamentária e financeira do governo federal. Fiscaliza todos os órgãos e entidades federais, ministérios, autarquias, empresas públicas, fundos e programas financiados com recursos da União.

Cargo e atuação do economista
O ingresso no TCU ocorre pelo cargo de Auditor Federal de Controle Externo (AFCE), de nível superior, que aceita qualquer formação universitária. Não há especialidade específica por área no TCU: o candidato aprovado pode ser lotado em diferentes unidades técnicas de acordo com seu perfil e as necessidades do Tribunal.
Dentre as atribuições típicas do Auditor Federal de Controle Externo estão:
- Planejar, executar e coordenar trabalhos de fiscalização em suas diversas modalidades, auditoria de conformidade, operacional, financeira e de desempenho;
- Examinar a legalidade, legitimidade, economicidade, eficiência e efetividade dos atos de órgãos e entidades federais;
- Coletar e analisar dados, desenvolver algoritmos e modelos para detecção de anomalias e predição de resultados nas atividades de controle externo.
Remuneração e concursos recentes
A remuneração do AFCE totaliza R$26.090,16 no ingresso. A jornada é de 40 horas semanais e a lotação é predominantemente em Brasília (DF).
O último concurso para AFCE ocorreu em 2022. Em 2025 o TCU realizou concursos para o nível médio (Técnico Federal de Controle Externo — TEFC), com 60 vagas e salário inicial de R$15.128,26. A expectativa para novo certame de nível superior (AFCE) é elevada, dada a demanda de reposição de quadro e o histórico de certames periódicos da instituição.
Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) e do DF
Cada estado brasileiro possui seu próprio Tribunal de Contas, responsável por fiscalizar as contas estaduais e municipais. O TCE fiscaliza prefeituras, câmaras municipais, secretarias estaduais e entidades vinculadas, aplicando os mesmos princípios de legalidade, legitimidade e economicidade que o TCU aplica no âmbito federal.
O cargo de entrada nos TCEs estaduais é, em geral, o de Auditor de Controle Externo, com especialidade definida por área de formação. Alguns TCEs ofertam vagas com especialidade específica em Economia, como o TCE-SC e o TCE-RN, que reservam vagas exclusivas para o economista.
A maioria dos demais TCEs inclui Ciências Econômicas entre as formações aceitas para um cargo genérico de Auditor, o que permite a participação do economista, mas sem uma vaga reservada à especialidade. A estrutura da seleção varia significativamente entre os estados e deve ser verificada no edital de cada certame.
As atribuições típicas do Auditor de Controle Externo nos TCEs incluem:
- Analisar prestações de contas de órgãos públicos estaduais e municipais, verificando a regularidade da execução orçamentária, financeira e patrimonial;
- Fiscalizar contratos, licitações e convênios, identificando superfaturamentos, irregularidades ou fraudes;
- Avaliar a eficiência, eficácia e economicidade de programas e políticas públicas implementadas pelos gestores;
- Verificar o cumprimento dos mínimos constitucionais com saúde, educação e outros gastos vinculados.
Panorama dos TCEs: remuneração e concursos recentes
Os salários variam expressivamente entre os estados, refletindo as diferentes estruturas remuneratórias. A tabela abaixo apresenta um panorama dos certames mais recentes:
| TCE | UF | Cargo | Salário inicial | Último concurso |
| TCU | BR | Auditor Federal (AFCE) | R$ 26.090,16 | 2022 (AFCE) |
| TCE-RS | RS | Auditor de Controle Externo | R$ 20.572,72 | 2025 |
| TCE-ES | ES | Auditor de Controle Externo | R$ 15.033,27 | 2024 |
| TCE-SP | SP | Auditor de Controle Externo | R$ 20.940,20 | Previsto 2026 |
Os TCEs têm periodicidade de concurso bastante irregular e o número de vagas por certame tende a ser pequeno (entre 10 e 50 vagas de nível superior). Isso exige atenção permanente ao calendário. O TCE-SP é historicamente o mais concorrido do país, dado o tamanho do estado e a atratividade da remuneração.
Controladoria-Geral da União (CGU)
A CGU é o órgão central do sistema de controle interno do Poder Executivo Federal. Ao contrário dos Tribunais de Contas, que atuam externamente após a execução do gasto, a CGU age de dentro da estrutura governamental, auditando, corrigindo, prevenindo e combatendo irregularidades antes que se tornem escândalos.
Suas competências incluem auditoria interna governamental, correição, ouvidoria, promoção da transparência, combate à corrupção e avaliação da gestão dos administradores públicos federais.

Cargo e atuação do economista
O economista ingressa na CGU pelo cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle (AFFC), de nível superior, que aceita qualquer formação universitária. O AFFC é uma das carreiras mais bem estruturadas do serviço público federal, com atribuições que incluem:
- Auditorias de gestão, conformidade e desempenho em órgãos e entidades federais;
- Avaliação de programas de governo quanto à eficácia, eficiência e efetividade;
- Investigação e apuração de irregularidades, incluindo fraudes em licitações, desvios de verbas e atos de improbidade;
- Análise da qualidade do gasto público e avaliação da gestão orçamentária e financeira
Remuneração e concurso recente
A remuneração do AFFC parte de R$ 18.033,52 no ingresso, com teto podendo atingir R$ 36.694,00 ao longo da progressão na carreira, uma das maiores entre as carreiras do Executivo federal. A jornada é de 40 horas semanais.
A CGU possui Controladorias Regionais em todos os 26 estados e no Distrito Federal, o que cria a possibilidade estrutural de lotação fora de Brasília. Na prática, porém, cada edital define as localidades com vagas disponíveis no certame, e a concentração histórica é no Distrito Federal. Os concursos recentes distribuíram vagas fora do DF principalmente para os estados da Região Norte. Candidatos que desejam atuar em outros estados devem verificar a distribuição específica do edital vigente, e podem, ao longo da carreira, solicitar remoção para outra regional, sujeito à disponibilidade de vagas.
O último concurso da CGU ocorreu em 2021. Em fevereiro de 2026, a CGU solicitou autorização ao Ministério da Gestão e Inovação para realização de novo concurso com 500 vagas, para os cargos de AFFC e Técnico Federal de Finanças e Controle (TFFC). A banca organizadora ainda está a definir. Trata-se de um dos certames mais aguardados da área de controle, dada a amplitude de vagas e a atratividade remuneratória.
Controladorias Gerais dos Estados (CGEs)
Os estados brasileiros possuem suas próprias controladorias, com estrutura análoga à CGU no âmbito estadual. Embora o nome do órgão varie: em São Paulo e Minas Gerais chama-se CGE, no Rio Grande do Sul é CAGE (Contadoria e Auditoria-Geral do Estado), e em outros estados pode estar vinculada à Secretaria de Transparência ou à Secretaria da Fazenda. Independente do nome, o papel é o mesmo: exercer controle interno sobre os órgãos da administração pública estadual direta e indireta.
As competências típicas incluem avaliar o cumprimento de metas do plano plurianual, fiscalizar a execução orçamentária e patrimonial dos órgãos estaduais, realizar auditorias e inspeções, apurar irregularidades, além de promover transparência e combate à corrupção na administração estadual.
Cargo e atuação do economista
O ingresso ocorre geralmente pelo cargo de Auditor Estadual de Controle ou equivalente. A formação exigida varia por edital: a CGE-SP, após retificação em 2025, abriu para qualquer graduação de nível superior; a CAGE-RS e a CGE-RJ listam Ciências Econômicas explicitamente entre as formações aceitas. As atribuições são análogas às do AFFC da CGU: auditoria de gestão, avaliação de políticas, conformidade orçamentária e combate à corrupção. Mas voltadas para os órgãos e municípios da jurisdição estadual.
As remunerações variam significativamente entre os estados. O caso mais expressivo é o da CAGE-RS, que oferece salário inicial de R$35.161,38, o maior entre as controladorias estaduais do país. A CGE-SP realizou seu primeiro concurso em 2025, com 200 vagas e salário inicial de R$17.850,00, chegando a R$27.809,72 no teto da carreira, com resultado sendo divulgado em fevereiro de 2026. A CGE-RJ realizou seu certame em 2023/2024, com salário inicial de R$12.357,38 e cadastro de reserva vigente até maio de 2026.
Um aspecto relevante para o economista que acompanha esse campo: grande parte dos estados está realizando seus primeiros concursos estruturados para a carreira de auditor de controle interno ou criando essa carreira agora. São Paulo realizou em 2025 seu primeiro concurso com a carreira criada por lei em dezembro de 2024. Alagoas criou recentemente os cargos de Analista de Controle Interno aguardando concurso. Roraima ainda está em estudo para criar a carreira e realizar seu primeiro edital em 2026.
Controle, auditoria e eficiência: um campo estratégico para o economista
Os órgãos de controle representam uma das frentes mais técnicas, estratégicas e bem remuneradas da carreira pública para o economista. Seja no controle externo, como no Tribunal de Contas da União e nos Tribunais de Contas estaduais, seja no controle interno, como na Controladoria-Geral da União e nas controladorias estaduais, o profissional encontra um ambiente em que análise de dados, avaliação de políticas públicas e investigação de irregularidades são atividades centrais.
No próximo e último texto da série, o foco se deslocará para outra arena igualmente estratégica: o Poder Judiciário. Será analisado como o economista pode atuar em tribunais, perícias econômicas e núcleos de apoio técnico, assumindo papel fundamental na produção de provas, cálculos judiciais e fundamentação técnica de decisões que moldam a aplicação do direito e das políticas públicas no país.
