Entenda como funciona o curso de Relações Internacionais, o que se estuda e quais são as áreas de atuação.

Curso de Relações Internacionais: como funciona e o que estudar

Relações Internacionais é a área que estuda como países, governos, empresas e organizações internacionais se relacionam nos âmbitos político, econômico e social.

O curso tem caráter multidisciplinar, reúne conhecimentos de economia, direito, ciência política, sociologia e história, e prepara o estudante para analisar cenários globais complexos, compreender relações de poder e atuar em contextos que envolvem negociação, cooperação e interesses internacionais. Ao longo deste texto, você verá como o curso é estruturado, quais disciplinas fazem parte da formação e como funciona o estágio na área.

Como é o curso de Relações Internacionais?

O curso de relações internacionais é bastante multidisciplinar, pois para entender a relação entre os países é necessário entender a fundo a formação dos estados nacionais e suas relações. Assim, se integram conhecimentos de diferentes formações como economia, direito, ciências políticas, sociologia, história e geografia.

Grade curricular e áreas de estudo

Durante a graduação, você estudará:

Devido a esta carga multidisciplinar, além das matérias específicas de relações internacionais serão estudadas matérias de vários outros cursos, como fundamentos de microeconomia, estatística aplicada, fundamentos do estado e sociologia do desenvolvimento.

O curso possui forte caráter teórico e acadêmico, especialmente nos primeiros semestres. É comum que estudantes sintam um estranhamento inicial devido à densidade dos textos e à quantidade de leitura em diferentes idiomas. A capacidade de análise crítica e interpretação de contextos complexos é desenvolvida progressivamente ao longo da formação.

Entenda como funciona o curso de Relações Internacionais, o que se estuda e quais são as áreas de atuação.
Foto de Kyle Glenn na Unsplash

Requisitos linguísticos

O domínio de idiomas é fundamental para quem escolhe Relações Internacionais:

  • Inglês: fluência obrigatória, considerado requisito básico no mercado;
  • Espanhol: proficiência necessária, especialmente para atuação na América Latina.
  • Outros idiomas: conhecimento de francês, mandarim, árabe ou russo pode ser diferencial

Muitas universidades oferecem aulas de inglês e espanhol na grade curricular, e algumas exigem certificação de proficiência como requisito para a colação de grau. É possível verificar essas informações na grade do curso da faculdade que você queira fazer.

Além disso, grande parte da bibliografia e dos materiais didáticos está em inglês, incluindo artigos acadêmicos, relatórios de organizações internacionais e documentos oficiais.

Duração e perfil do estudante

O curso tem duração média de 4 anos (8 semestres). É ideal para pessoas que:

  • Demonstram interesse por temas sociais, políticos e econômicos globais;
  • São abertas a diferentes culturas e perspectivas;
  • Possuem habilidades de comunicação e negociação;
  • Apreciam leitura e pesquisa acadêmica;
  • Buscam compreender dinâmicas internacionais complexas;
  • Têm perfil analítico e conciliador.
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Foto de Monody Le na Unsplash

Como é o estágio em Relações Internacionais?

​O estágio no curso de RI não costuma ser obrigatório. Com isso, pode ocorrer da faculdade nem se preocupam em apresentar vagas de estágio para seus alunos. Portanto é essencial que você vá atrás por conta própria.

Os estudantes podem começar a estagiar a partir do segundo ou terceiro semestre, mas a atividade só será contabilizada como carga horária a partir do quarto ou quinto semestre. A maioria dos cursos reserva os últimos semestres para atividades práticas, período em que os estudantes já possuem uma base teórica mais sólida para aplicar no mercado de trabalho.

O estágio é um requisito tácito de empregabilidade. No setor privado, a ausência de experiência prévia ao término da graduação é um dificultador severo para a entrada em cargos de analista.

Oportunidades e atividades

As oportunidades de estágio estão distribuídas em diversos setores, incluindo assessorias internacionais de empresas, secretarias de governo e consulados, empresas em processos de internacionalização, câmaras de comércio, organizações não governamentais, organizações internacionais, empresas multinacionais e consultorias.

A grande maioria dessas vagas está concentrada em grandes cidades, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, onde há maior presença de empresas multinacionais e organizações internacionais.

As atividades desenvolvidas pelo estagiário variam bastante, depende de onde será feito o estágio. Mas no geral se dividem em três eixos principais:

As atividades atuais dividem-se em três pilares principais:

  • Inteligência Comercial e Mercadológica: Monitoramento de fluxos comerciais, análise de barreiras tarifárias e não-tarifárias, e suporte em processos de internacionalização de empresas.
  • Relações Governamentais e Institucionais (RelGov): Monitoramento de agendas legislativas, elaboração de matrizes de stakeholders e acompanhamento de políticas públicas que afetem o setor de atuação da organização.
  • ESG e Sustentabilidade: Apoio na adequação a tratados internacionais e normas globais de governança ambiental e social, área que absorve grande parte da demanda atual por internacionalistas.

No setor empresarial especificamente, as atividades tendem a incluir relacionamento com clientes, atendimento a multinacionais, análise de mercados, planejamento, organização de eventos e auxílio no setor de importação e exportação. Muitas vezes, os estagiários realizam atividades mais burocráticas e administrativas, comuns a outros cursos como administração e economia.

Uma vantagem do estágio em Relações Internacionais é que é possível obter uma remuneração relativamente boa, algumas vagas em multinacionais podem pagar mais de  R$2.500 reais, além de benefícios como vale-refeição e seguro de vida. Mas em média um estagiário ganha entre R$1.200 a R$1.800.

Competências Técnicas Exigidas

O domínio de idiomas e informática básica são agora considerados pressupostos. O diferencial competitivo reside em:

  1. Análise de Dados: Conhecimento em ferramentas como Power BI, Tableau ou linguagem SQL para visualização de dados macroeconômicos.
  2. Proficiência Técnica em Idiomas: Não basta a conversação; exige-se redação técnica e capacidade de negociação em inglês e, preferencialmente, espanhol ou mandarim.
  3. Certificações de Compliance: Entendimento básico de regulamentações como a LGPD (Brasil), GDPR (União Europeia) e leis anticorrupção.

Relações Internacionais: o que esperar da formação e da carreira

O curso de Relações Internacionais oferece uma formação ampla e exigente, que combina base teórica sólida, leitura acadêmica intensa, domínio de idiomas e desenvolvimento de competências analíticas aplicáveis a diferentes contextos do mercado.

Para quem considera seguir essa carreira, é importante ter clareza sobre o perfil exigido e a necessidade de buscar experiências desde cedo para ampliar as chances de inserção profissional. No próximo texto, você confere quais são as principais áreas de atuação em Relações Internacionais.

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