Áreas de atuação da psicologia – parte 2  

A psicologia ocupa um papel fundamental dentro de organizações públicas e privadas, contribuindo para o bom funcionamento de equipes, instituições e ambientes de trabalho. Enquanto na Parte 1 exploramos áreas amplamente reconhecidas, como a psicologia clínica, nesta segunda etapa avançamos para campos cuja atuação se dá diretamente em empresas, hospitais e órgãos do sistema de justiça. 

São áreas que mostram como o psicólogo pode integrar equipes multidisciplinares e atuar de forma estratégica na melhoria de processos, na promoção do bem-estar e no suporte a decisões importantes dentro das organizações.  

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Foto de Kateryna Hliznitsova na Unsplash

​​Psicologia Organizacional

A psicologia organizacional estuda o ambiente de trabalho, os processos internos das empresas e o comportamento dos profissionais dentro dessas instituições. Essa área está diretamente ligada ao aprimoramento da dinâmica organizacional, à qualidade de vida no trabalho e aos fatores que influenciam produtividade, motivação e relações interpessoais no ambiente corporativo.

O psicólogo organizacional atua em diversos aspectos da vida profissional: participa de reestruturações internas, colabora na definição de faixas salariais, auxilia na determinação do número ideal de funcionários, observa rotinas de trabalho e analisa as condições oferecidas pela empresa. Também é responsabilidade desse profissional conduzir processos seletivos, realizar avaliações de desempenho e propor melhorias para que o ambiente organizacional funcione de forma equilibrada e eficiente.

Entre suas atividades, estão ainda o treinamento e desenvolvimento de equipes, o fortalecimento das relações sociais dentro da empresa, o apoio à orientação de carreira e a criação de estratégias para aumentar a motivação e o crescimento dos colaboradores.

Os psicólogos organizacionais podem trabalhar diretamente no setor de Recursos Humanos de empresas de diversos portes ou atuar em consultorias especializadas. Essas consultorias prestam serviços tanto para organizações quanto para profissionais que buscam desenvolvimento de carreira e conquista de objetivos profissionais.

Por ser um dos campos mais consolidados e amplos da psicologia, a área organizacional é também a que mais oferece vagas de emprego e estágio. Profissionais podem atuar em pequenas, médias e grandes empresas, embora as organizações maiores, com estruturas de RH mais robustas, costumem demandar mais desse tipo de atuação.

Nas empresas menores, especialmente aquelas que não têm foco direto em práticas psicológicas, é comum que o psicólogo assuma funções adicionais, como atividades administrativas ou tarefas relacionadas ao departamento pessoal.

A psicologia organizacional, além de fundamental para a saúde das empresas, é uma área que possibilita grande impacto nos trabalhadores, ajudando a criar ambientes mais saudáveis, produtivos e alinhados às necessidades humanas e corporativas.

Psicologia da saúde

​A psicologia da saúde estuda como fatores emocionais, comportamentais e sociais influenciam tanto o processo de adoecimento quanto a promoção da saúde. Essa área é responsável por compreender como as pessoas lidam com o sofrimento, os tratamentos médicos e as mudanças significativas que a doença pode trazer para a vida do paciente e de seus familiares.

O psicólogo da saúde atua em conjunto com médicos, enfermeiros e outros profissionais, oferecendo suporte emocional e estratégias de enfrentamento para que o paciente consiga lidar melhor com diagnósticos, tratamentos e hospitalizações. Seu trabalho busca fortalecer o indivíduo e sua família, contribuindo para a recuperação física e mental e para a adaptação às novas condições impostas pela doença.

No ambiente hospitalar, é comum que esse profissional acompanhe pacientes em situações delicadas, como tratamentos oncológicos, casos de abortamento, nascimentos prematuros e outras circunstâncias que exigem apoio psicológico especializado. Também pode oferecer acolhimento diante de questões como medo, dor, ansiedade e conflito familiar durante o processo de tratamento.

Outra atuação importante ocorre em situações de óbito. O psicólogo costuma acompanhar familiares ao necrotério e, em muitos casos, é o responsável por comunicar diagnósticos difíceis ou notícias sensíveis ao paciente e à família, ajudando-os a atravessar esses momentos com o máximo de cuidado e acolhimento possível.

A presença desse profissional é mais comum em hospitais de grande porte, que possuem equipes multidisciplinares mais completas. Por isso, a principal porta de entrada para atuar na área costuma ser o estágio hospitalar, geralmente iniciado ainda durante a graduação.

Se o objetivo é seguir carreira na psicologia da saúde, é fundamental verificar se a universidade oferece disciplinas e estágios voltados para essa área. Alguns hospitais também disponibilizam vagas de estágio diretamente, o que pode ser uma excelente oportunidade para adquirir experiência prática e se aproximar desse campo de atuação.

​Psicologia jurídica

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Foto de Ximena Nahmias na Unsplash

A psicologia jurídica estuda a relação entre comportamento humano e o sistema de justiça, aplicando conhecimentos psicológicos para compreender, orientar e apoiar processos legais. Essa área atua diretamente em questões que envolvem direitos, deveres, conflitos familiares, situações criminais e medidas socioeducativas, oferecendo contribuições importantes para decisões e políticas públicas.

O psicólogo jurídico pode trabalhar em diversas frentes, desde a atuação em tribunais até o acompanhamento de pessoas privadas de liberdade. Entre suas funções, estão colaborar na construção e execução de políticas, auxiliar instituições na tomada de decisões judiciais, desenvolver atividades educativas dentro de penitenciárias e prestar atendimento psicológico quando solicitado.

Esse profissional pode atuar em penitenciárias, Tribunais de Justiça, Varas da Família, Infância e Juventude. Para ocupar essas posições, é necessário ser aprovado em concurso público, o mais comum é o de psicólogo judiciário, realizado pelos Tribunais de Justiça, cujo salário gira em torno de R$ 9.500,00.

O trabalho inclui atividades como realização de avaliações psicológicas para apresentação em audiências, produção de pesquisas, acompanhamento de adolescentes em processos de adoção, orientação de jovens cumprindo medidas socioeducativas, além de outras ações voltadas ao suporte psicológico e social dentro do sistema de justiça.

Além do cargo de psicólogo judiciário, existem concursos para atuar no DEPEN (Departamento de Execução Penal), onde o trabalho é voltado integralmente para pessoas privadas de liberdade, e na Febem, que atende adolescentes em conflito com a lei. Nesses espaços, o psicólogo desenvolve atividades de acompanhamento, avaliação e construção de processos socioeducativos.

Dentro da psicologia jurídica, uma das vertentes que mais desperta curiosidade é a psicologia criminal. É comum imaginar que esses profissionais traçam perfis de criminosos, como se vê em séries e filmes, mas na prática esse tipo de atividade raramente ocorre no Brasil. O sistema de justiça não possui estrutura suficiente para manter profissionais dedicados a esse tipo de trabalho. Ainda assim, estudos sobre comportamento criminal existem no meio acadêmico, mesmo que sua aplicação prática seja mais limitada.

Como o psicólogo contribui em diferentes instituições

As três áreas apresentadas revelam como o psicólogo pode atuar de forma estratégica dentro de instituições, organizações públicas e equipes multidisciplinares. Cada uma delas evidencia a importância desse profissional na construção de ambientes mais humanos, acolhedores e funcionais, seja dentro de empresas, hospitais ou órgãos do sistema de justiça.

Na Parte 3 desta série, avançaremos para outros campos igualmente relevantes, explorando áreas da psicologia voltadas aos aspectos sociais e aos processos neurológicos, ampliando ainda mais a compreensão sobre as múltiplas possibilidades de atuação profissional.